Quem cuida

Para cuidar melhor

Cuidadores

O aumento significativo da expectativa de vida da população, nas últimas décadas, é um dos grandes avanços da saúde em nosso país. Segundo dados do IBGE, são mais de 26 milhões de pessoas acima de 60 anos – 13% da população –, com expectativa de chegar a 35 milhões nos próximos 20 anos. É cada vez maior o número de mulheres e homens que ultrapassam os 80, 90 anos…

São mais de 26 milhões de pessoas
13% da população brasileira tem mais de 60 anos

Muitas dessas pessoas precisam apenas de companhia e de ajuda para as tarefas do dia a dia. Outras estão debilitadas por alguma doença que reduz sua mobilidade ou prejudica seu processo cognitivo. São os pacientes assistidos.

Acompanhando essas mudanças na população, cresce ano a ano a necessidade de profissionais responsáveis pelos cuidados a esses idosos – e aumenta a importância do papel do cuidador.

Pacientes assistidos com incontinência urinária (IU), por exemplo, exigem bastante atenção e cuidado. A rotina da casa muda, as necessidades se somam. Se você é um cuidador profissional, ou tem um familiar sob seus cuidados, aqui vai encontrar informações que ajudam a lidar com esse desafio. Role a página ou clique nos links abaixo para ir direto ao assunto que lhe interessa.

O papel do cuidador

Quem dá a medicação para a mãe ou a avó acamada? Quem vai convencer o pai de que sua incontinência urinária precisa ser contida com uma roupa especial? Quem é o interlocutor com o médico e as enfermeiras?

Quando temos um familiar adoentado, é comum haver dificuldades para solucionar todas as dúvidas que surgem a cada momento. Nem sempre é fácil ajustar horários e acomodar as agendas de todos. As famílias que podem arcar com o custo contratam um cuidador profissional.

As famílias que têm menos fôlego financeiro acabam encontrando outras soluções, como o rodízio entre os filhos ou sobrinhos; ou terminam por eleger um familiar com mais tempo e paciência para a função.

Mas, em todos os casos, é preciso definir claramente qual o papel do cuidador. E, como o nome mesmo diz, sua tarefa principal é cuidar do familiar em todas as suas necessidades: de alimentação, de higiene, de companhia e atenção, entre outras.

Cuidador e família

Veja no infográfico as principais atribuições de um cuidador.

É tarefa do cuidador:

Ajudar a dar banho e na higiene diária
Ajudar a dar banho e na higiene diária
Auxiliar o paciente a se vestir, pentear e escovar dos dentes
Auxiliar o paciente a se vestir, pentear e escovar dos dentes
Dar os remédios diários, aplicar injeções e medir a pressão arterial
Dar os remédios diários, aplicar injeções e medir a pressão arterial
Cuidar da rotina de sono do paciente, colocando-o na cama e atendendo-os durante a noite
Cuidar da rotina de sono do paciente, colocando-o na cama e atendendo-os durante a noite
Trocar as bolsas de soro e de alimentação enteral ou paraenteral
Trocar as bolsas de soro e de alimentação enteral ou paraenteral
Fazer curativos para ajudar nas cicatrizações
Fazer curativos para ajudar nas cicatrizações
Acompanhar o paciente nas consultas médicas, relatando o estado geral do paciente e alertando para eventuais problemas surgidos desde a última consulta
Acompanhar o paciente nas consultas médicas, relatando o estado geral do paciente e alertando para eventuais problemas surgidos desde a última consulta
Acompanhar o paciente nas sessões de fisioterapia e em seus exercícios em casa, se for o caso
Acompanhar o paciente nas sessões de fisioterapia e em seus exercícios em casa, se for o caso
Manter contato com médicos, hospitais e familiares, anotando as rotinas do paciente e qualquer intercorrência no tratamento
Manter contato com médicos, hospitais e familiares, anotando as rotinas do paciente e qualquer intercorrência no tratamento

Muitos pacientes assistidos exigem cuidados por 24 horas. Com tantas responsabilidades, é muito comum a necessidade de haver mais de um cuidador atendendo a eles, pois as tarefas também se multiplicam.

Casa segura para todos

Segundo relatório do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), dentre os mais de 20 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, aproximadamente 13% têm dificuldade em executar pelo menos uma atividade diária.

Entre os mais idosos – com 80 anos ou mais – 40% sofrem constantes quedas quando não têm a ajuda de alguém.

13% dos idosos têm dificuldade nas tarefas diárias
40% dos idosos com mais de 80 anos sofrem quedas constantes

Algumas rotinas e mudanças na casa podem ajudar muito a manter os ambientes seguros para idosos, dando tranquilidade para as famílias. Veja no infográfico a seguir as dicas que a cuidadora Maria Aparecida Correia Garcia, a Cida, nos dá para garantir essa segurança, a partir de sua experiência de 14 anos no atendimento a pacientes idosos com diversos graus de comprometimento da saúde.

Casa segura para idosos

Dicas para o dia a dia

Segundo estimativas da Family Caregivers Alliance, a associação norte-americana de cuidadores familiares, 75% da força de apoio a pessoas com dificuldades nos EUA é composta por familiares, especialmente mulheres. A maioria dos pacientes assistidos depende do cuidado não remunerado de parentes, amigos e vizinhos. O cenário é o mesmo em muitos outros países, incluindo o Brasil.

Sem treinamento formal, é muito comum que os familiares sofram um pouco até encontrar o ajuste necessário para esse cuidado.

E é mesmo muito difícil para quem viu seu ente querido no auge de suas forças ir perdendo dia a dia a vitalidade.

O próprio paciente, muitas vezes, torna-se mal-humorado, reclamão, teimoso ou intratável.

Se não existe a possibilidade de contratar um profissional, é preciso encontrar maneiras de lidar com essas dificuldades.

Atenção aos sinais

O idoso com incontinência urinária, por exemplo, muitas vezes tenta esconder essa condição, por pura vergonha! Mas preste atenção a esses indícios:
  • A pessoa evita sair de casa, não quer se ver exposta ao vexame de molhar a roupa em público.
  • Em viagens (ônibus, avião), procura se sentar próxima aos banheiros, para poder correr para lá em uma emergência.
  • Não aceita ajuda para trocar de roupa ou ir ao banheiro, pois não quer que vejam as roupas íntimas molhadas ou os truques usados para disfarçar.
  • O idoso foge do contato, não quer companhia, fica deprimido ou intratável — mudanças de humor são comuns quando se perde o domínio sobre o próprio corpo.

O que fazer?

De novo a dica é da cuidadora Cida: "Paciência, dedicação e carinho". Esse conjunto de comportamentos é o que ajuda no cuidado a um ente querido em situação de debilidade.

"Conversar com o familiar, deixá-lo à vontade, explicar o porquê de cada procedimento, das trocas, do uso de fraldas ou de roupas íntimas descartáveis... Se necessário, deixar que o idoso se acalme e tentar em outro momento". Ou seja, nunca forçar a barra com o idoso ou paciente assistido, para preservar a relação em bons termos.

Veja o vídeo e confira as dicas da Cida.

Cuidar não é um ato solitário

Ao compreender melhor como é o processo e a evolução dos sintomas, principalmente em casos de doenças degenerativas ou cognitivas, é possível encontrar melhores condições para lidar com os desafios. O importante é saber que o cuidador familiar não pode estar só nessa tarefa.

Uma das queixas comuns é a falta de apoio dos demais familiares: irmãos, sobrinhos, filhos, cônjuge. Para aumentar o envolvimento, vale a pena colocar o assunto em pauta nas reuniões de família, para conversar sobre o que fazer e como proporcionar mais conforto ao ente querido.

Outra providência é informar sempre a todos da evolução do quadro, das rotinas e dos tratamentos. Sabendo claramente quais os problemas de saúde, e o tanto que eles impactam a vida do idoso, os demais familiares vão entender melhor os pedidos de ajuda e acompanhamento.

Rotinas de cuidados

As tarefas do dia a dia, voltadas ao paciente assistido, precisam ser bem ordenadas. Quando ele sofre de incontinência urinária, então, é necessário manter um olhar ainda mais atento.

  • Sede

    Sede

    Idosos não sentem tanta sede e muitas vezes se esquecem de beber água. É preciso lembrá-los dessa necessidade. Se estiverem desidratados, podem ficar confusos, esquecidos, ter vertigens e sofrer quedas.

    Mas não insista para que tomem copos e copos de água. Melhor oferecer pequenas quantidades, em intervalos regulares. Especialmente nos meses mais frios, diminua ou cesse a oferta de água umas duas horas antes do horário de dormir. Também não ofereça bebidas que contêm cafeína (café, chá preto ou mate, refrigerantes à base de cola) à noite. Todas essas medidas ajudam a evitar uma incontinência mais intensa durante a noite.

  • Alimentação

    Alimentação

    Idosos também podem ficar sem apetite. Se não quiser comer, de jeito nenhum, não insista e nem se indisponha com o paciente. Aguarde algum tempo, ofereça uma fruta fácil de ser digerida. Isso aguça o apetite e ajuda a aceitar uma alimentação mais leve em seguida.

  • Medicamentos

    Medicamentos

    A rotina de medicação deve ser seguida à risca. Anote sempre numa agenda ou diário a medicação do dia: se o idoso tomou sem reclamar e a que horas. Aliás, essa agenda pode ser muito útil como um diário de toda a rotina do idoso, facilitando a explicação ao médico ou demais familiares a respeito do que está acontecendo com o paciente.

  • Higiene e cuidados

    Higiene e cuidados

    Se o idoso se recusa a ser auxiliado nos cuidados íntimos, não discuta. Mas seja firme na explicação do porquê de sua ajuda e vá aos poucos o convencendo. Se o motivo da recusa for a incontinência, seja ainda mais firme.

    Não deve haver vergonha nenhuma em precisar de ajuda e há inúmeras formas de fazer o idoso participar dos próprios cuidados, se ainda tiver mobilidade para isso. O importante é mostrar que, sabendo exatamente qual a condição de incontinência que ele apresenta, é possível encontrar a melhor maneira de lidar com ela.

Se estiver difícil demais...

Algumas situações são mais constrangedoras, ou você pode não ter forças suficientes — físicas e emocionais — para lidar com elas. De novo, a dica é pedir ajuda de outros familiares.

Se a pessoa tem problemas cognitivos, existe um conjunto de medidas para ajudar o cuidador a lidar com a incontinência, por exemplo. Procure nas associações de pacientes de Alzheimer grupos de apoio com os quais possa aprender as técnicas para se comunicar de maneira mais eficiente com esses doentes.

De modo geral, se o paciente aos seus cuidados começa a dar sinais de que está perdendo gradualmente a compreensão, é muito importante que seja avaliado por um especialista. Se já apresentar incontinência, deve passar por uma consulta específica destinada a investigar as possíveis causas da perda urinária. Enquanto isso, para manejar a situação, pode-se adotar alguns procedimentos. Um exemplo é levar a pessoa ao banheiro a cada 3 horas durante o dia.

A dica é não esperar o paciente pedir. Observe os sinais: se está mais agitado que o normal, mexendo frequentemente nas roupas, por exemplo. Caso perceba algo de diferente nesse sentido, aja prontamente. Ainda assim, mantenha a calma, pois acidentes podem ocorrer. Tranquilize também a pessoa se ela estiver nervosa.

Ao sair para passeios, além do uso do produto mais adequado à incontinência do paciente, vista-o com uma roupa mais fácil de ser trocada. E previna-se contra possíveis acidentes de percurso: tenha sempre à mão uma troca extra de roupa, produtos de higiene e sacos plásticos para o lixo.

O cuidador também precisa se cuidar

Cuidadores, especialmente aqueles que são familiares ou cônjuges, experimentam alto risco de esgotamento físico, emocional e financeiro. Além disso, os cuidadores costumam fazer grandes sacrifícios para ajudar seus entes queridos.

Quem cuida também precisa de apoio para manter a saúde física e emocional.

O cotidiano nem sempre é um mar de rosas e vai chegar o dia em que você pode achar que a pessoa de quem cuida deixou escapar a urina em represália a alguma coisa. Sim, esse tipo de pensamento pode ocorrer e é normal que ocorra.

Bem, primeiramente, admita seu desconforto. Não vai ajudar nada fingir que não fez esse julgamento porque, muito provavelmente, a cena vai se repetir. Respire fundo e procure lembrar de que a pessoa de quem você cuida, realmente, não tem controle sobre o que está acontecendo e pode sofrer com a ideia de chamar você cada vez que for fazer xixi.

Se você está cuidando de alguém com uma deficiência física, peça a ajuda de um fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional para aprender a se movimentar sem se machucar tanto na lida com o outro.

Tempo de descanso

Pacientes que apresentam um quadro de IU intensa são mais difíceis de cuidar no dia a dia. São vários os motivos. O uso inadequado de produtos para conter o xixi, vários episódios durante a noite, vazamentos ou recusa em usar o produto adequado à sua condição resultam em maior troca de roupas e mais tempo consumido com a higiene pessoal.

Pode ser que a demanda constante por mais tempo que caracteriza essa atividade cause uma sensação de frustração e impaciência. Se você começar a sentir mais irritação e cansaço, porque não dorme direito, pode ser hora de pedir ajuda a outro membro da família ou recrutar a contratação de um assistente.

A cuidadora Cida tem um recado importante para esses momentos: é preciso aprender a relaxar. "Eu gosto de ver televisão, ouvir música, fazer artesanato. Quando deixo a casa do meu paciente, deixo os problemas lá. Tento desligar da tarefa, descansar a mente e o corpo. Depois, reenergizada, volto para cuidar com todo o carinho e atenção de que sou capaz."

Se você sente que está se esgotando, peça férias! Também o cuidador familiar precisa desse descanso.

Soluções para o bem-estar

A incontinência urinária atinge uma parcela significativa de pacientes acamados ou assistidos de alguma forma: 70% apresentam o problema.

O tipo de incontinência pode ser leve, moderada ou intensa. Quer saber mais? Clique aqui.

Se o paciente tem mobilidade, consegue se cuidar e entende sua situação, é bem mais fácil para o cuidador explicar quais são os produtos que se adaptam à sua necessidade.

70% dos pacientes assistidos apresentam incontinência urinária

Umas das soluções mais indicadas para os acamados que não conseguem se cuidar sozinhos é o uso de uma roupa íntima descartável. Mais fácil de trocar e mais confortável que as fraldas geriátricas, essa roupa traz benefícios para o paciente e para o cuidador, com ganho de tempo e agilidade nas trocas. Além de deixar o doente mais apresentável.

Um recado importante: é preciso pensar na dignidade das pessoas de quem cuidamos e que se encontram em situação tão desfavorável, sejam elas familiares ou não. Não se deve, por exemplo, deixar o paciente exposto apenas de roupa íntima descartável e menos ainda de fraldas, mesmo quando se assemelham a uma roupa íntima tradicional.

Pijamas e camisolas para os acamados são itens essenciais, pois dão a eles a sensação de normalidade, que garante bem-estar, mesmo que estejam debilitados, confusos ou comprometidos no seu entendimento.

A aparência de um paciente bem acomodado e vestido, limpo e apresentável sempre reforça a ideia de que ele está sendo bem cuidado.